Blog Sgt Ricardo
A Federação Nacional dos Policiais Federais solicitou ao novo diretor-geral da
Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, a criação do cargo de oficial de
Polícia Federal. A proposta pretende valorizar as atribuições dos policiais
federais, pois, segundo a entidade, a “estrutura medieval” da PF relega
escrivães, papiloscopistas e agentes a segundo plano por não serem
delegados.
“Numa Polícia do século XXI, não é admissível que a policiais
experientes, com nível superior e formação em suas áreas de atuação seja
oferecido o papel de carregador de malote e de CPUs, quando estes mesmos
policiais poderiam estar coordenando, planejando e executando as ações que
ajudam a consolidar a boa imagem de nossa polícia”, destacou a federação, em
carta enviada ao novo diretor-geral. A entidade frisou que os policias federais
não querem ser delegados. “Não nos interessa produzir inquéritos e mais
inquéritos que, em sua esmagadora maioria, não darão em nada”.
A escolha
por Coimbra como novo diretor-geral foi confirmada, nesta quarta-feira (29/12),
pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O atual diretor da PF, Luiz
Fernando Corrêa, decidiu se aposentar.
A proposta de criação do cargo de
oficial de Polícia Federal foi aprovada durante o último Congresso Nacional dos
Policiais Federais. Segundo a Federação, o objetivo é otimizar os recursos
humanos da PF, fortalecer o papel constitucional da instituição como Polícia
administrativa da União e valorizar as atribuições dos policiais federais. A
Federação Nacional dos Policiais Federais representa 27 sindicatos e mais de 15
mil servidores do Departamento de Polícia Federal.
Leia a íntegra da
carta da Federação Nacional dos Policiais Federais:
CARTA AO SENHOR
DIRETOR-GERAL DA POLÍCIA FEDERAL
Caro senhor diretor-geral Leandro
Daiello Coimbra, antes de mais nada, é importante que nos apresentemos. Somos a
Federação Nacional dos Policiais Federais, entidade representativa de 27
sindicatos e mais de 15 mil servidores do Departamento de Polícia Federal. Ao
longo dos últimos anos, como deve ser de seu conhecimento, viemos cumprindo um
papel importante, tanto do ponto de vista da democratização de nosso órgão,
quanto de sua valorização, bem como de seus servidores.
No momento em que
o senhor é alçado ao cargo mais importante de nossa instituição, cabe-nos vir a
sua presença, em primeiro lugar, para desejar-lhe um ótimo trabalho à frente da
Polícia Federal e em segundo lugar para eafirmar nosso compromisso com a Polícia
Federal e com as bandeiras de luta de nossa categoria.
Essa Federação tem
se pautado, nas duas últimas décadas, por ideias construídas a partir do acúmulo
teórico produzido pelos policiais federais. Nossas propostas buscam valorizar
nossa categoria, mas sempre pautadas em marcos que visam oferecer cada vez mais
uma segurança pública de qualidade para a população brasileira.
Nesse
sentido, propomos a modernização da estrutura da Polícia Federal a partir da
criação do cargo de Oficial de Polícia Federal. A proposta aprovada durante o
último Congresso Nacional dos Policiais Federais visa otimizar os recursos
humanos da Polícia Federal, fortalecer o papel constitucional da PF como Polícia
Administrativa da União e, é claro, valorizar as atribuições dos policiais
federais.
O senhor, como policial federal, já deve ter trabalhado com
escrivães, papiloscopistas e agentes extremamente competentes em suas
atribuições, mas que em razão da estrutura medieval de nossa polícia sempre
ficaram relegados a um segundo plano pela simples razão de não serem delegados.
Além de insana, essa situação favorece ao estabelecimento de uma lógica
funcional que passa muito longe da meritocracia do servidor.
Com o Oficial de
Polícia Federal teremos escrivães, papiloscopistas e agentes valorizados e
colocados à frente das atividades em que são especialistas. Numa polícia do
século XXI, não é admissível que a policiais experientes, com nível superior e
formação em suas áreas de atuação seja oferecido o papel de carregador de malote
e de CPUs, quando estes mesmos policiais poderiam estar coordenando, planejando
e executando as ações que ajudam a consolidar a boa imagem de nossa
polícia.
Antes, porém, caro diretor, precisamos frisar que não queremos
ser delegados de Polícia Federal. Não nos interessa produzir Inquéritos e mais
inquéritos que, em sua esmagadora maioria, não darão em nada.
Por fim
queremos contar com seu apoio em duas outras lutas dessa Federação e seus 27
sindicatos: a aprovação de uma Lei Orgânica verdadeiramente transformadora da
Polícia Federal e o trabalho visando a reestruturação da tabela salarial dos
servidores.
Nada mais nos resta senhor diretor, além de reiterar nosso
compromisso com o país e com uma Polícia Federal moderna e valorizadora de TODOS
os seus servidores. No mais, estaremos vigilantes e prontos a aplaudir as suas
boas iniciativas, mas também prontos a repelir com a dureza necessária qualquer
iniciativa de cunho corporativo ou que vá de encontro às verdadeiras aspirações
do povo brasileiro.
Sem mais para o momento,
Federação Nacional dos
Policiais Federais