Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Notícias

Estado de Minas / Nacional

SENADO

Seqüestro relâmpago estabelecido em lei

Parlamentares aprovam projeto que caracteriza crime no país

Leopoldo Silva/Agência Senado

Legislação prevê pena de seis a 12 anos para a infração, além de multa

Brasília – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem o projeto que tipifica o crime de seqüestro relâmpago. De autoria da própria casa, o Projeto de Lei 4025/01 prevê penas mais rígidas caso o ato resulte em lesão grave ou morte da vítima. O projeto original (PLS 54/04) foi aprovado pela CCJ em 2004 e enviado à Câmara, quando então foi modificado pelos deputados. Com a decisão de ontem, quando os senadores deliberaram pela rejeição da emenda da Câmara, a matéria segue para decisão final do Plenário do Senado. O projeto acrescenta dispositivos ao artigo do Código Penal que tipifica o crime de extorsão. Se a extorsão for cometida com a restrição da liberdade da vítima, passará a ser considerada como seqüestro relâmpago, com pena de reclusão de seis a 12 anos, além de multa. Caso a vítima sofra lesão corporal grave, a pena sobe para 16 a 24 anos de prisão. Em caso de morte, a reclusão dos envolvidos passará a ser de 24 a 30 anos. Os senadores explicaram que os agravantes atuais da lei continuam valendo. A previsão é de aumento da pena de um terço até a metade se o crime for cometido por duas ou mais pessoas ou com a utilização de arma. Para juristas, a alteração do artigo 158 do Código Penal para definir de forma mais clara a prática do seqüestro relâmpago era necessária para aumentar as penas de pessoas envolvidas nesse tipo de crime. O texto aprovado ontem o especifica como “crime cometido mediante restrição da liberdade da vítima, sendo essa condição necessária para obtenção de vantagem econômica. Na Câmara, os deputados alteraram a redação do parágrafo que especifica as penas previstas para a prática do crime. A emenda, segundo os parlamentares, comprometia a intenção do texto de determinar o aumento da punição para casos em que o crime resultar em lesão corporal ou morte. EMPRESAS CRIAM SEGURO-RESGATE As seguradoras do país foram autorizadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susesp), autarquia do governo federal que regulamenta o setor, a colocar à disposição da população o seguro-resgate, que já existe em outros países e é pago às vítimas de seqüestro. Pelo serviço oferecido no exterior, quando o detentor da apólice é seqüestrado, quem paga o resgate é a seguradora. Esse produto é contratado normalmente por multinacionais que enviam executivos a países na América Latina. A definição das regras ainda depende de regulamentação. Técnicos afirmam que a modalidade deve ter funcionamento similar a outros tipos de seguro, variando conforme o valor pago e os riscos, entre outros fatores. Mas a autorização já deixa aberta a possibilidade de especialistas contratados pelas seguradoras participarem das negociações com criminosos. Como esse tipo de seguro era proibido no país, brasileiros interessados em fazê-lo contratavam apólices no exterior, segundo o advogado Luiz Bojunga, assessor de Seguros e Resseguros do escritório Doria, Jacobina, Rosado e Gondinho. “Já existem inclusive operadoras de cartões de crédito que incluem o seguro-seqüestro como opção, mas com valores baixos. É um tipo de cobertura que envolve muito sigilo da apólice, pelos riscos”, disse.

Estado de Minas / Gerais

ORDEM JUDICIAL

Polícia Civil investiga crime de PM

Pedro Ferreira

A Justiça de Contagem, na Grande BH, pôs ontem um fim no impasse sobre a competência de quem iria comandar as investigações de uma execução cometida por um cabo da Polícia Militar. A PM entendeu que cabia a ela a instauração do inquérito, mantendo o policial no batalhão onde trabalha, mas a juíza do Tribunal do Júri da comarca, Maria Luíza de Andrade Rangel Pires, determinou que trata-se de um crime comum e que cabe à Polícia Civil comandar as investigações.

A vítima do crime foi o técnico em enfermagem Wadson Malaquias de Lima, de 44 anos. Na tarde de segunda-feira, ele foi assassinado com 15 tiros pelo cabo Robson Xavier dos Santos, do 39º Batalhão. O motivo foi uma briga de vizinhos, envolvendo a mulher do acusado, no Bairro Água Branca. Wadson, que não estava envolvido na confusão, levou dois tapas no rosto e teria sido baleado pelo militar quando tentava acalmá-lo.

Na terça-feira, pela segunda vez, a delegada Cristiane Carvalhaes, da Delegacia de Homicídios de Contagem, não conseguiu ouvir o acusado em cartório. No dia do crime, colegas de farda do acusado o levaram direto para o batalhão. Quando o cabo foi apresentado à Polícia Civil, ele estava dopado. O militar teria sido medicado numa clínica psiquiátrica da PM, depois de sofrer uma crise nervosa, e não teve condições de depor. O interrogatório foi adiado para as 14h de terça-feira, mas o cabo não foi levado à delegacia. O comandante do batalhão, tenente-coronel Paulo Márcio Diniz, considerou o fato um crime militar e decidiu que a própria PM iria conduzir as investigações. “O cabo estava de serviço, fardado, com arma e a viatura da corporação”, justificou o tenente-coronel.

Ontem, a delegada procurou a juíza e esta concluiu que cabe à Justiça comum julgar o caso, e não a Justiça Militar. “Diante dessa situação, a juíza determinou que o cabo seja encaminhado à autoridade que preside o inquérito policial, para ser ouvido”, informou a delegada, que deve marcar o interrogatório do PM, que continua detido no batalhão.

Outros PMs que presenciaram o crime também prestarão depoimento. Ontem, a delegada ouviu oito testemunhas que moram no prédio onde ocorreu o homicídio. Essas pessoas confirmaram que a mulher do cabo ameaçava bater numa vizinha com uma vassoura. O marido da síndica telefonou para o policial, que estava de serviço numa outra rota, pedindo que ele tomasse providências. O cabo teria chegado nervoso, reclamando da mulher que não o deixava trabalhar, e tentou arrombar o apartamento de um irmão da vítima, que havia dado proteção à mulher ameaçada.

Os parentes de Wadson, ainda abalados com a tragédia, também serão ouvidos. Segundo a delegada, o cabo usou uma pistola Ponto 40 para matar a vítima. Ela aguarda do Instituto Médico-Legal (IML) o laudo da necropsia, que vai concluir o número exato de tiros, e também da perícia feita no local do homicídio. Polícia Civil investiga crime de PM

Estado de Minas / Gerais

METRALHADORA

Rajada de tiros acerta militares em quartel

Um cabo morre e outro fica ferido, depois de atingidos por sargento acidentalmente na saída para operação de rotina

Ricardo Beghini

Fotos: Antônio Olavo Cerezo/Tribuna de Minas

Centenas de pessoas compareceram ontem à tarde ao sepultamento do corpo de Gilmar Fonseca Rodrigues, homenageado com honras militares

Em clima de emoção e depois de receber as honras militares foi sepultado, na tarde ontem, no Cemitério Municipal de Juiz de Fora, na Zona da Mata, o corpo do cabo da Polícia Militar Gilmar Fonseca Rodrigues, de 38 anos, que deixou mulher e dois filhos. O policial foi atingido no peito pela rajada de uma submetralhadora Bereta 9mm, quando se preparava para participar de uma operação de rotina. O tiro teria sido efetuado acidentalmente pelo sargento José Alfredo Gregório, de 47, que comandava a tropa. Gilmar chegou a ser socorrido no Hospital Monte Sinai, mas não resistiu aos ferimentos, morrendo no centro cirúrgico menos de uma hora depois. As primeiras informações davam conta que os disparos ocorreram durante a checagem da arma. “Um inquérito militar será instaurado para apurar os fatos”, disse a capitã Kátia Moraes, assessora de comunicação do 2º Batalhão PM, responsável pelo posto da 31ª Companhia, da Rua José Libânio Rodrigues, no Bairro Bandeirantes, onde ocorreu o incidente. Segundo ela, a investigação levará 40 dias, mas poderá ser prorrogada por mais 20. A peça fundamental para se chegar à causa dos disparos é o laudo técnico da Polícia Civil sobre o armamento, que deve ficar pronto em 30 dias. As balas também acertaram outro policial. O cabo Adalberto Saraiva de Melo, de 41 anos, foi baleado na cabeça e está internado no Hospital Albert Sabina. De acordo com o boletim médico divulgado à tarde, o estado geral do militar, que respira com a ajuda de aparelhos, é grave. “O policial passou por uma cirurgia para a retirada da bala, alojada na cabeça. Os médicos descartaram a possibilidade momentânia de óbito, permanecendo o paciente sob observação no Centro de Terapia Intensiva (CTI)”, informou o hospital. ESTRESSE Na mesma unidade foi internado o sargento Gregório. O quadro é de estresse pós-traumático. “Ele encontra-se sob os cuidados da psiquiatria e da equipe de enfermagem e técnicos. O paciente foi sedado, devido ao seu estado emocional agitado e as visitas foram suspensas”, revelou o boletim médico. Segundo a capitã, a maior preocupação da PM é prestar apoio e solidariedade às famílias dos militares envolvidos, que estão recebendo auxílio de psicólogos. “O apoio não termina hoje. Vamos dar continuidade à assistência”, explicou. O sargento Gregório trabalha 28 anos na corporação. O cabo Gilmar estava na PM há 13 anos. Saraiva, por sua vez, completou 21 anos de profissão. “Os três eram amigos”, afirmou a assessora do 2º BPM. Ainda de acordo com Kátia, o sargento era uma pessoa bem preparada profissionalmente e inclusive costumava dar instruções sobre os cuidados com o armamento. “Nessas instruções de chamada pré-turno, a todo o momento, os militares são alertados sobre questões de segurança”, disse. Na sala onde ocorreu o incidente funciona o plantão da 31ª Companhia de Polícia Militar. No local, há marcas nas porta, paredes e numa janela, que teve os vidros quebrados. Um pizzaiolo que estava no quartel para fazer um boletim de ocorrência se protegeu ao perceber os tiros. Os disparos também foram ouvidos na vizinhança e por funcionários e clientes de um salão de beleza, que funciona próximo.

Estado de Minas / Gerais

PERIGO

Agente reage e mata suspeito

Funcionário da Penitenciária Dutra Ladeira usou arma de assaltante para se defender de dupla procurada pela polícia por vários crimes na Região Norte e em Venda Nova

Pedro Ferreira

Fotos: Sidney Lopes/EM/D.A Press

Vítima foi levada com vida para o pronto-socorro, mas não resistiu ao ferimento causado pelo disparo

Abordado por dois ladrões em uma motocicleta, o agente penitenciário A. F., de 23, tomou a arma de um assaltante e disparou um tiro que matou o piloto do veículo. O fato ocorreu às 6h de ontem, na Rua Raimundo Nonato Nascimento, no Bairro Floramar, Região Norte de BH. Segundo a polícia, o suspeito morto, Alex Barbosa, de 22, cometeu pelo menos cinco assaltos na mesma região, sempre usando a motocicleta Honda CG Titan 125, de cor cinza, placa HHO 0478, cujos números eram cobertos com adesivo laranja para dificultar a identificação. O outro assaltante fugiu a pé. A. F. ia de moto para a Penitenciária Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, Norte da região metropolitana, quando foi interceptado pelos ladrões. O rapaz da garupa sacou revólver calibre 38 e anunciou o assalto, querendo a moto Twister e a bolsa, mas foi desarmado. A.F. disparou duas vezes, atingindo o tórax de Alex e o tanque da moto. O agente penitenciário chamou a polícia e ficou aguardando o suspeito ser socorrido. A arma, que havia ficado com ele, foi apreendida, com dois cartuchos deflagrados e quatro intactos. Alex chegou ainda com vida ao Hospital de Pronto-Socorro de Venda Nova, mas não resistiu. O cabo João Carvalho, da 16ª Companhia do 13º Batalhão da PM, disse que havia mais de quatro meses vinham tentando prender uma dupla de assaltantes que cobria a placa da moto com um adesivo laranja. “Eles sempre agiam da Avenida Vilarinho até o Bairro São Bernardo, das 5h às 8h. Já chegamos a ter 10 viaturas no encalço desses ladrões, mas eles sempre achavam um buraco para se esconder”, disse o cabo. O agente penitenciário não quis comentar o caso, alegando que trabalha com criminosos no presídio e teme represálias.

Alex Barbosa, de 22 anos, pilotava a motocicleta usada nos roubos

DESCONTROLE O pai do assaltante morto, um caminhoneiro de 52 anos que pediu para não ser identificado, conta que desistiu de recuperar o filho assim que ele completou 18 anos. Quando menor, Alex, segundo o pai, foi apreendido pela polícia diversas vezes, chegando, inclusive, a ser acusado de co-autoria em um homicídio. “Sempre dei conselhos a ele, mandando-o para a escola, pagando cursos, mas ele não se tornou uma pessoa do bem. Quando completou 18 anos, eu o chamei e disse que a partir daquele momento ele era dono da própria vida. A mãe ficou nervosa comigo, mas o meu filho já sabia o que queria da vida”, disse. Alex, segundo ele, morava com uma mulher no Bairro Camargos, na Região Noroeste de BH, e quando visitava a família, de vez em quando, não dava detalhes da sua vida. “Sempre dei um bom exemplo para Alex, mas ele foi estragado pelas más companhias. Eu nem imaginava que ele andava assaltando e fiquei chocado com a notícia”, disse o caminhoneiro. O tenente Marcílio Pinheiro, do 13º Batalhão, fez um alerta às vítimas de assalto, para que não reajam. “O agente poderia ter sido morto. O outro ladrão também poderia estar armado”, alertou. O caso foi levado para a 7ª Delegacia Distrital de Venda Nova. F. A. que alega legítima defesa, pode responder pelo crime de homicídio.

Hoje em Dia / Brasil

Advogado de Nayara pede indenização de R$ 2 milhões ao Estado de SP

SÃO PAULO - Um advogado, que diz ter sido procurado pela família da adolescente Nayara, de 15 anos, ferida com um tiro na boca durante o seqüestro de 100 horas que resultou na morte de Eloá Pimentel, também de 15 anos, afirmou que pedirá indenização de R$ 2 milhões ao Estado. O processo de Ângelo Carbone Sobrinho sustenta um pedido liminar de tutela antecipada para pagar as despesas com o tratamento médico da adolescente, além de um pagamento por danos morais causados pela «falta de preparo» da Polícia Militar no cerco ao seqüestrador Lindemberg Alves, de 22 anos.

Sobrinho diz que Nayara nunca poderia ter voltado ao cativeiro após ter sido libertada, mesmo se quisesse. «É uma menina de 15 anos. O Governo do Estado não zelou pela integridade dela. A polícia nem sequer sabia onde o bandido estava dormindo e houve uma série de falhas em toda a operação», criticou o advogado.

O advogado diz ainda na ação que a jovem perderá dias de aulas, deixará de sair para atividades de lazer com as amigas e de praticar esportes. Sobrinho também ressalta o fato de que Nayara terá de ser submetida a uma nova cirurgia de correção estética daqui a três meses. «Pelo menos nos próximos cinco anos, ela vai precisar de atendimento médico, de psicólogos. Se for ver, R$ 2 milhões é até pouco», argumenta.

Nayara recebeu alta do Hospital Municipal de Santo André, no ABC paulista, por volta das 14h30 de ontem. Por volta das 15 horas, ela começou a prestar depoimento à polícia, que investiga o seqüestro em que ela e a amiga ficaram sob poder de Lindemberg Alves, ex-namorado de Eloá. Segundo informações do hospital, Nayara prestava depoimento acompanhada por integrantes do Conselho Tutelar, psicólogos e a mãe. A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, foi ao local na tentativa de ouvir o depóimento do rapaz.

Baleada na região da boca, ela passou por duas cirurgias, sendo uma realizada na manhã de ontem para a retirada de uma placa de sustentação nos dentes. Terminou por volta das 10h50 o procedimento para a colocação de um aparelho fixo superior e um dente postiço. De acordo com o dentista Marcos Pinchiare, responsável pela colocação do aparelho, o procedimento foi considerado um sucesso. A garota foi sedada e recebeu anestesia local durante a cirurgia, que teve início pouco depois das 8 horas.

O pai de Eloá Cristina Pimentel da Silva, Everaldo Pereira dos Santos, continua foragido e não vai se entregar até que seu advogado, o criminalista Ademar Gomes, tenha acesso aos processos movidos contra ele em Alagoas. Ex-policial militar, apontado pela polícia alagoana como autor de pelo menos três homicídios e integrante da ‘Gangue Fardada‘, uma espécie de ’esquadrão da morte’ daquele estado, ele terá de responder também pelo crime de falsidade ideológica, já que em São Paulo passou a adotar o nome de Aldo José da Silva. O sobrenome de Eloá Cristina também foi mudado. O nome verdadeiro dela seria Eloá Pereira Pimentel.

Segundo Gomes, seu cliente não está mais no estado de São Paulo e apenas daqui a dez ou 15 dias, após ler os processos, deverá decidir se pedirá habeas-corpus ou se vai se entregar. Caso decida se entregar, diz Gomes, seu cliente deverá fazê-lo se houver garantia de vida e com a condição de cumprir pena no estado de São Paulo - e não ser levado novamente a Alagoas, de onde fugiu em 1993. «Ele não está mais em São Paulo. Está preocupado, com depressão e chorando. São duas tragédias ao mesmo tempo na família e ele está muito abalado», afirmou o advogado, que é presidente da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo.

A polícia paulista continua as buscas pelo ex-PM alagoano e tenta obter informações sobre seu paradeiro com vizinhos e parentes. Nessa terça, o pai de Eloá negou que tenha cometido crimes. Afirmou que é perseguido por ser um ‘arquivo vivo‘ em Alagoas.

Nayara diz que Lindemberg não atirou antes da invasão

Em depoimento de mais de cinco horas, a adolescente Nayara Rodrigues Vieira da Silva, de 15 anos, afirmou ontem ao delegado Sérgio Luditza, do 6º Distrito Policial de Santo André, que Lindemberg Alves, de 22 anos, não atirou momentos antes da invasão dos policiais ao apartamento onde ela e a amiga Eloá Pimentel eram mantidas reféns por ele. A afirmação contradiz a versão da polícia, de que a decisão de invadir o imóvel só aconteceu depois que homens do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) ouviram um disparo.

Nayara disse não ter ouvido qualquer tiro nas duas horas anteriores à explosão da porta pelos policiais, às 18 horas. Segundo ela, o último disparo de Lindemberg, contra o teto, num momento de nervosismo, havia sido entre 15 horas e 16 horas. Também em depoimento, quatro policiais que invadiram o cativeiro afirmaram ter ouvido um disparo, que teria motivado a decisão de explodir a porta e invadir.

Nayara confirmou que sua mãe não havia autorizado que ela entrasse novamente no apartamento, após ser libertada. A garota disse que tinha autorização apenas para tentar negociar a libertação da amiga. A adolescente foi ouvida pela polícia ainda no hospital onde estava internada, meia hora após receber alta.

Na noite de sexta-feira, após ser libertada do cativeiro, ferida, ela fora submetida a uma cirurgia para retirada da bala, alojada no maxilar. Ontem, foi retirado o aparelho que segurava a arcada dentária.

A mãe de Nayara, Andréia de Lourdes Rodrigues, o advogado Ângelo Carbone, o promotor Antônio Nobre e representantes do Conselho Tutelar acompanharam o depoimento. A advogada Ana Lúcia Assad, que assumiu a defesa de Lindemberg Alves, tentou entrar, mas foi impedida pelo promotor. Ela reclamou que o direito de defesa de seu cliente está sendo cerceado.

Psicólogos acompanharam o depoimento, com autorização para interromper caso a menina se sentisse mal. «A partir do momento em que a paciente teve alta, ela está apta a exercer seus direitos civis», afirmou a diretora do hospital, Rosa Aguiar.

Após o desfecho trágico, o coronel Eduardo José Félix culpou a adolescente. Disse que ela desobedeceu à ordem de ficar na escadaria do prédio, sem entrar no apartamento. No entanto, a adolescente, com um celular, voltou ao local sem estar acompanhada por um negociador. O advogado disse que atuará ao lado da Promotoria para condenar Lindemberg: «Vamos pedir a pena máxima para o Lindemberg Alves e acompanhar a execução criminal dele no futuro.»

O perito Ricardo Molina analisou novamente, e por um período mais longo, imagens e áudios feitos pela TV Globo e não conseguiu identificar som de tiro em pelo menos 12 minutos antes da invasão. O ouvidor das polícias de São Paulo, Antônio Funari, disse que a volta de Nayara ao cativeiro foi absurda e pediu investigação da Corregedoria da PM.

A polícia quer concluir o inquérito até sexta-feira para enviá-lo ao Ministério Público, que terá cinco dias para denunciar Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, cárcere privado e periclitação da vida.

Hoje em Dia / Minas

Sargento mata cabo, e polícia alega que crime foi acidental

Jacqueline Lopes

DA SUCURSAL

JUIZ DE FORA - O cabo da Polícia Militar Gilmar Fonseca Rodrigues, 38 anos, foi morto com um tiro no peito, disparado pelo sargento José Alfredo Gregório, no interior do posto policial do Bairro Bandeirantes, na Região Nordeste de Juiz de Fora. Os disparos, segundo o comando do 2º Batalhão da PM, teriam sido acidentais e aconteceram durante uma instrução, no momento em que os policiais começavam seu turno de trabalho, por volta das 19 horas da última terça-feira, e faziam a verificação de rotina do armamento. O corpo do cabo foi sepultado ontem, no Cemitério Municipal.

O cabo Adalberto Saraiva de Mello, 41 anos, também foi atingido por tiros na cabeça. Internado no Hospital Albert Sabin, onde deu entrada às 19h56, ele foi submetido a uma cirurgia para retirada de projétil e está no CTI, em observação. Seu estado é grave: respira por ventilação mecânica e a pressão está sendo mantida com medicamentos.

O sargento José Gregório foi internado no mesmo hospital - estaria em estado de choque - e recebe acompanhamento de psicólogos da Polícia Militar. Não há previsão sobre quando terá condições de retornar ao trabalho. Segundo boletim médico, ele deu entrada na unidade por volta das 23 horas, com estresse pós-traumático, e continua internado em observação. Está sob cuidados do setor de psiquiatria do hospital e, devido à agitação, precisou ser sedado. As visitas ao policial foram suspensas.

De acordo com a assessora de comunicação do 2º Batalhão, capitã Kátia Moraes, essa foi a primeira vez que um acidente desse tipo foi registrado em uma unidade militar em Juiz de Fora. Os três envolvidos estão na corporação há mais de dez anos e, além de atuarem muito tempo juntos, também seriam amigos. «A situação, em toda a Região Militar, é de muita tristeza», afirmou. O cabo Gilmar Rodrigues era casado e deixou dois filhos, de três meses e de 4 anos.

Como o suposto acidente aconteceu dentro de uma unidade militar, as investigações serão feitas pela PM. Foi instaurado Inquérito Policial Militar para apontar as circunstâncias dos disparos. Segundo Kátia Moraes, não há dúvida que os disparos foram acidentais, mas é preciso saber o que provocou os disparos, que teriam acontecido por volta das 19h30, pouco depois de os PMs terem assumido o serviço na unidade. O local foi isolado para o trabalho da perícia, que poderá apontar se a arma, uma submetralhadora 9 milímetros, apresentou algum defeito. O prazo para conclusão do inquérito é de 40 dias, prorrogáveis por mais 20.

Na manhã de ontem, o posto policial, sede da 31ª Cia da PM, foi reaberto. No momento dos disparos, um comerciário esperava para registrar um boletim de ocorrências. Ele contou que se assustou com o barulho dos tiros, ficando escondido atrás do balcão de atendimento. Os vidros de uma janela da recepção foram quebrados e há marcas de tiros na parede e porta dessa sala.

O batalhão também presta assistência às famílias das vítimas. «Estão todos abalados», disse Kátia Moraes. Cerca de 800 pessoas acompanharam o enterro do cabo Gilmar Rodrigues, que aconteceu sob honras militares.

O Tempo / Opinião

Sociedade precisa repensar a segurança

Elisandra Amâncio

Estudante de jornalismo

Assim como diversos cidadãos brasileiros, acompanhei o seqüestro das adolescentes em Santo André. O trágico desfecho que resultou na morte de Eloá Pimentel, 15, me fez questionar nossa postura como sociedade diante de um caso como esse.

No geral, ouço as pessoas dizendo que a polícia deveria ter matado o seqüestrador usando atiradores. Por outro lado, precisamos analisar que, se tivessem matado Lindemberg Alves (seria "menos um", dizem), a turma dos "direitos humanos" viria em cima do comando da operação da mesma forma. Se um policial atirar em um bandido e este morrer, no mínimo terá a arma dele apreendida e ficará afastado das atividades. O policial só voltará a trabalhar quando for julgado e constatado que matou o bandido como última opção de defesa.

É preciso repensar a atividade da polícia em nosso país. O que pode e o que não pode? Matar Lindemberg Alves não seria uma pena de morte? Ou deixar Eloá nas mãos do seqüestrador não seria decretar a pena de morte para uma pessoa inocente?

Acredito que a dor da família de Eloá é irreparável. Esse caso é o ponto de partida para pensar e cobrar das instituições legais a reformulação do sistema de segurança. A banalização da violência é algo que incomoda. Todos os dias ficamos sabendo de crimes e mais crimes e parece tudo "tão" normal... Será que a morte de Eloá vai entrar na retrospectiva de2008? Lembraremos com pesar e vai ficar por isso mesmo?

O Tempo / Cidades

Juiz de Fora

Policial Militar é morto com tiro acidental em quartel

MÁBILA SOARES portal o tempo on-line

Um acidente dentro de um quartel da Polícia Militar em Juiz de Fora, na Zona da Mata, terminou com a morte de um policial de 38 anos e deixou um outro, de 41 anos, gravemente ferido. De acordo com a assessoria da corporação, o fato aconteceu anteontem à noite, quando os militares da 31ª Companhia começavam o turno de trabalho. Segundo informações da própria Polícia Militar, um terceiro militar, um sargento de 47 anos, fazia uma inspeção de rotina em uma submetralhadora quando a arma disparou acidentalmente, atingindo os dois militares. Um deles levou um tiro na região da costela e não resistiu aos ferimentos e morreu. O outro policial foi ferido na cabeça. Segundo a PM, ele está em coma induzido e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Juiz de Fora, em estado grave. O sargento que estava com a arma quando ela disparou também foi internado, mas em estado de choque. Ele será afastado temporariamente das atividades e deve ser detido no quartel enquanto o caso é investigado. De acordo com a Polícia Militar, o procedimento operacional é adotado nesses casos. Se for comprovado algum tipo de responsabilidade, ele pode responder penalmente.

Enterro. O corpo do militar foi sepultado ontem no cemitério municipal de Juiz de Fora, no final da tarde. Vários policiais foram ao local para prestar a última homenagem ao companheiro e confortar a família.

O Tempo / Cidades

Léo Fontes

Risco. Alexandre reconhece que medo inicial da Lei Seca passou e que ele voltou a beber e dirigir

Pesquisa. Dado do Vigitel, do Ministério da Saúde, aponta queda de 32% após Lei Seca Hábito de beber e dirigir cai Apreendidos em blitz em BH não têm queda, o que mostra relaxamento Lívio Barbosa

A Lei Seca mudou o comportamento de parte da população, segundo apontou pesquisa do Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (Vigitel) do Ministério da Saúde. Segundo o estudo, houve redução de 32% das pessoas que assumiram ter hábito de beber e dirigir. Para chegar a tal índice, foram ouvidas, aleatoriamente, em todo o país, 24 mil pessoas. Metade foi contactada em abril e maio, antes da implantação da lei. Outras 12 mil foram entrevistadas dois meses após a norma entrar em vigor. Entretanto, dados da Polícia Militar indicam que os motoristas de Belo Horizonte podem estar mais relaxados no cumprimento da lei. O que mostra isso é o número de apreendidos em blitz, que não teve queda, mesmo com a fiscalização sendo mantida. Entre 20 de junho e 20 de outubro, 93 pessoas foram conduzidas para delegacias por embriaguez. Em julho, um mês após a lei entrar em vigor, 22 condutores foram flagrados bêbados. Em agosto, o número chegou a 29. De 1º de outubro até anteontem, quatro meses após a lei entrar em vigor, 23 motoristas foram encaminhados. Segundo o major Roberto Lemos, comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar de Trânsito de Belo Horizonte, a fiscalização é a mesma desde junho. "Quem precisa da carteira tem medo da lei, mesmo que não acredite na fiscalização. Alguns motoristas comentam que usam rotas alternativas para diblar a polícia. O que todos estão temendo agora é o envolvimento em acidentes porque sabem que terão que se submeter aos testes de alcoolemia", explica. A partir de novembro, a PM da capital terá 33 novos bafômetros. Outro dado que mostra relaxamento foi divulgado pela Polícia Rodoviária Federal. Os acidentes nas BRs de Minas chegaram a ter queda de 12% após a lei, mas no último mês não houve redução. O jornalista Alexandre Guimarães, 26, disse que no começo teve medo de ser pego, mas que passados dois meses voltou a beber porque a fiscalização não se mostrou atuante. "Era preciso que as pessoas sentissem a punição na pele." O engenheiro Marcelo Vial mudou o seu comportamento assim que a Lei Seca entrou em vigor. Teve medo de perder a carteira e ter dificultado o caminho para o trabalho e casa. "Confesso que bebia pouco e dirigia. Agora fico no suco", afirma. Fator de risco monitorado O Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (Vigitel) é um órgão de pesquisa ligada ao Ministério da Saúde. Além de aferir o impacto da adoção de políticas públicas em diversas áreas ele subsidia o monitoramento dos fatores de risco e proteção para as doenças crônicas não transmissíveis e contribui para o planejamento de ações voltadas para a redução dos fatores de risco. (LB)

Conscientização Campanha deve ser adotada

Para Rosana Antunes, coordenadora do Núcleo de Humanização do Trânsito (NHTrans) e especialista em elaboração e gestão de programas sociais, três fatores contribuem para o afrouxamento dos motoristas em relação à Lei Seca. O primeiro é que a lei não veio acompanhada uma campanha de conscientização e sensibilização. O outro é a discussão em torno da sua constitucionalidade, o que deveria ser feito antes de a lei ser aprovada e sancionada. “Discussão técnicas que chegam para a sociedade após a lei vigorar gera uma descrença e confunde a população.” O terceiro problema apontado por ela foi ter imposto aos órgãos executivos de trânsito uma lei sem que eles estivessem equipados e preparados, o que acabou gerando a desmoralização de policiais diante da população. “Se a fiscalização afrouxa, a Lei Seca vai para o mesmo caminho”, avalia. A especialista alerta para a necessidade de uma campanha maciça para impedir que a lei caia em descrédito. Mas ressalta que a sensibilização deve ser feita de maneira inteligível. Do contrário, corre-se o risco de torná-la impositiva e ineficaz. “Exemplos de punição exemplar são mínimos. Vivemos a cultura da impunidade para os crimes de trânsito”, afirma. (LB)

Jornal Aqui / Geral

FUNDAÇÃO CASA

Greve de agentes começa no sábado

Os funcionários da Fundação Casa, antiga Febem, prometem entrar em greve a partir deste sábado.

A decisão, de acordo com o sindicato, foi tomada durante assembléia da categoria realizada na última sexta-feira.

Eles reinvindicam 17,53% de aumento real e outros 90 itens.

Jornal Aqui / Polícia

FOGO AMIGO

Militar metralhado

Cabo é morto por sargento durante checagem de submetralhadora

Em clima de emoção e depois de receber as honras militares foi sepultado, na tarde ontem, no cemitério municipal de Juiz de Fora, na Zona da Mata, o corpo do cabo da Polícia Militar, Gilmar Fonseca Rodrigues, de 38 anos, que deixou esposa e dois filhos. O policial foi atingido no peito pela rajada de uma submetralhadora Bereta 9 milímetros quando se preparava para participar de uma operação policial de rotina. O tiro teria sido efetuado acidentalmente pelo segundo sargento José Alfredo Gregório, de 47, que comandava a tropa.

Gilmar chegou a ser socorrido no hospital Monte Sinai, mas não resistiu aos ferimentos. As primeiras informações davam conta que os disparos ocorreram durante a checagem da arma, no posto da 31ª Companhia, da Rua José Libânio Rodrigues, no Bairro Bandeirantes, onde ocorreu o incidente.

A capitão Kátia Moraes, assessora de comunicação do 2º Batalhão PM, disse que um inquérito será aberto e que a investigação levará 40 dias, podendo ser prorrogada por mais 20. A peça fundamental para se chegar às causas dos disparos é o laudo técnico da Polícia Civil sobre o armamento, que deve ficar pronto em 30 dias.

Policial em estado grave

As balas também acertaram um segundo policial. O cabo Adalberto Saraiva de Melo, de 41 anos, foi baleado na cabeça e está internado no hospital Albert Sabina. De acordo com o boletim médico divulgado na ontem à tarde, estado geral do militar, que respira com a ajuda de aparelho, é grave. “O policial passou por uma cirurgia para a retirada da bala que ficou alojada na cabeça. Os médicos descartaram a possibilidade de óbito, momentânea, permanecendo o paciente sob observação no Centro de Terapia Intensiva (CTI)”, informou o hospital.

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