Terça-feira, 3 de Junho de 2008

O Dia em que a Policia parou! – A Verdadeira historia da greve da policia mineira que parou o Brasil

Sai o reajuste
Através do Decreto Estadual n. 38.818, de 3 de junho, o governador concede reajuste para 4 mil oficiais da PM, que variam entre 10,06 e 22%. Os salários são equiparados aos dos delegados da Polícia Civil.As entidades dos Praças haviam tentado uma audiência com o governador ao final de maio, mas o governador não os recebe.O gabinete alega que o governador só conversa com coronéis e não com praças.As entidades estudam a possibilidade de entrar com ação na Justiça contra o aumento exclusivo para oficiais. Houve inversão de prioridades, dizem os diretores das entidades.O comandante de policiamento da Capital (CPC), Coronel José Guilherme do Couto, declara aos integrantes das entidades que os praças também vão receber aumento por gratificações de cursos e o Governo estaria estudando uma maneira para que o aumento fosse estendido também aos policiais civis, que não têm gratificações de cursos. Em entrevista ele afirma:“Entendo a insatisfação dos praças manifestada pelos seus representantes das Entidades, mas espero que haja compreensão e um voto de confiança na negociação do comandante-geral com o governador Eduardo Azeredo.”Cão BangueloNa segunda semana de junho, quando das comemorações do aniversário da 5ª Cia. De Cães do BPChoque, o Coronel do CPC, José Guilherme do Couto, fazendo uso da palavra em discurso para a tropa compara o adestramento de um cão e o de um policial.A expressão usada pelo coronel foi um cão banguelo e desdentado consegue fazer seu serviço, assim como um policial adestrado, apesar das dificuldades.Este comentário foi feito para uma tropa formada, de aproximadamente 200 policias, e logo se estendeu para o Batalhão de Choque, criando uma revolta entre os choqueanos (policiais do Batalhão de Choque).Explicar o inexplicávelApesar do silêncio do Comando, vaza para a imprensa a informação de que só os oficiais da PM receberiam o aumento exclusivo, mas as informações eram contraditórias quanto aos valores. O que surpreende é a informação de que dinheiro já estava depositado. O comandante do CPC, Coronel José Guilherme do Couto, bastante constrangido, convoca os jornalistas no início da noite ao Quartel Central Geral (QCG) para explicar o aumento, que seria na verdade uma equiparação ao salário conquistado na Justiça pelos delegados e contesta os índices que vinham sendo divulgados pela imprensa, de que o aumento era superior a 30%. Segundo o comandante, a aumento era escalonado e os oficiais subalternos e intermediários (tenentes e capitães) receberiam mais (22%). Os oficiais superiores receberiam menos. O aumento variava entre 10 e 22% e seria pago em três parcelas. A primeira parcela já havia sido paga. O coronel afirma ainda que o aumento para os praças dependeria da aprovação do projeto lei que o Governo enviaria para a Assembléia nos próximos dias. Com o aumento, o salário inicial dos oficiais subalternos (2º tenente) passaria para R$1.500,00. O soldo inicial de um soldado era de R$332,00.
Referencia Bibliográfica:GOMES, Julio César. O Dia em que a Policia parou! – A Verdadeira historia da greve da policia mineira que parou o Brasil. 2ed. Belo Horizonte, 2006.

0 comentários: